Pular para o conteúdo principal

Estragos feitos por Bolsonaro são imensuráveis

“Deixa primeiro o homem trabalhar. Depois, se não der certo, a gente tira ele de lá”. Isto me foi dito, depois da posse do presidente Jair Bolsonaro, por uma amiga coxinha que votou no candidato João Amoedo do partido Novo e agora furou a fila de vacinação contra a Covid19, por ser amiga de um médico, na Alemanha.

Na ocasião argumentei que depois os estragos seriam grandes demais e a chapa do pior candidato eleito da História do Brasil tinha de ser cassada logo para não dar tempo para que ele destruísse o país. O homem já tinha revelado seu instinto de morte e destruição na campanha eleitoral. De lá para cá as crises econômica, social, ambiental e sanitária se agravaram e já antes da pandemia. Ele teve ataques e chiliques, ameaçou a democracia e danificou instituições de proteção à vida, principalmente das camadas mais precarizadas da população. Direitos trabalhistas foram eliminados para atrair investimentos estrangeiros e o que se viu foi evasão investimentos.

Em sã consciência, não poderia imaginar que o estrago hoje seria tão grande e que ameaça aumentar, já que o Brasil caminha a passos largos para 5 mil mortos em 24 horas por coronavírus e para uma soma de 500 mil mortes até o final do primeiro semestre, segundo o neurocientista Miguel Nicolelis, que um colapso do sistema funerário e contaminação do subsolo e de lençóis freáticos, uma tragédia humana e ambiental.

Não daria para imaginar que o homem cometeria um genocídio intencional sabotando tudo que pode deter a propagação do vírus, como o isolamento social, o uso da máscara, e até recusaria oferta para compra vacina enquanto o mundo inteiro corria e ainda corre atrás do imunizante. O desgoverno do homem deixou até faltar oxigênio em hospitais levando gente à morte por asfixia, pacientes graves serem intubados sem anestesia e médicos tendo de escolher quem vai deixar morrer e quem vai tentar salvar por falta de leito de UTI e insumos para tratamento.

E como explicar a sobra de 80 bilhões de reais dos recursos destinados para o combate a pandemia em 2020?

Maior Desemprego, Mais Fome e Tudo de Ruim

Jamais imaginaria que, por mais desprezo que tivesse pelos compatriotas, o homem deixaria os mais vulneráveis em plena pandemia por mais de 3 meses sem um auxílio emergencial e só agora em abril começaria a pagar uma merreca que não dá nem para comprar uma sesta básica. São 150 reais para a pessoa que mora só, 250 reais para famílias chefiadas por homens e 375 por famílias chefiadas por mulheres, E só 4 prestações. O preço médio da sesta básica no Brasil é de 550 reais, segundo o DIEESE. O auxílio não atingirá o objetivo de manter as pessoas em casa para evitar contaminação, porque quem receber a micharia seguirá em busca de um pouco mais para sobreviver e viajará espremido em transportes coletivos como sardinha em lata, num sacolejo de distribuição de vírus. Como dizia o Betinho do combate a fome, “quem tem fome não pode esperar”.

Não poderia imaginar um crescimento da desigualdade social tão acelerado no desgoverno do homem, que nos levaria ao final de 2020 para 19,1 milhões de brasileiros passando fome e 117 milhões em situação de insegurança alimentar, equivalentes a 55,2% da população alcançado pela primeira vez desde 2004, segundo pesquisa da Rede Penssan. A ONU tinha tirado o Brasil do Mapa da fome em 2014, depois que o programa Fome Zero do governo Lula resgatou mais de 30 milhões de brasileiros da fome.

Não deu também para imaginar que o desgoverno do homem prosseguiria com a eliminação de direitos dos trabalhadores iniciada por seu antecessor golpista Michel Temer e que o Brasil ia chegar a 2021 com 14,2 milhões de desempregados, atingindo a maior marca da série iniciada em 2012, segundo o IBGE. E que não joguem toda a culpa na pandemia pelo estrago no mercado de trabalho, porque o aumento do desemprego começou antes da chegada do coronavírus e o PIB brasileiro só cresceu 1,1% em 2019, o primeiro ano de gestão do homem. Direitos trabalhistas foram eliminados em nome de entrada de investimentos estrangeiros e o que se viu foi evasão de investimentos.

Passando a Boiada

Era inconcebível que o desgoverno aproveitaria a atenção da mídia com a pandemia para passar a boiada e promover mudanças legislativas para facilitar a exploração da Amazônia, como sugeriu o desministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião fatídica do Ministério em 22 de abril de 2020. Foram destruídos 11 mil quilômetros quadrados de floresta na Amazônia Legal no segundo ano de gestão do homem, segundo o INPE. O desmatamento foi 3 vezes maior que a proposta pelo Brasil para a Convenção do Clima.

Na reunião fatídica, o homem externou dois grandes interesses: armar a população, porque “povo armado jamais será escravizado,” e blindar os filhotes envolvidos em corrupção, como as rachadinhas do senador Flávio Bolsonaro, e os cheques depositados na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro pelo Queiroz.

Seria inimaginável que o homem comprasse uma briga mundial com a política de passar a boiada na Amazônia, o pulmão do mundo, que absorve 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano e produz 20% do oxigênio do planeta. Também não imaginaria que seu desgoverno diminuiria a autonomia, o poder e os recursos das agências de proteção ambiental, que ele diz atrapalhar o desenvolvimento. A Funai passou pelo mesmo rolo compressor, deixando reservas e populações indígenas inteiras a mercê da ganância de empresas madeireiras, mineradoras e agronegócio. O homem jogou até garimpeiros miseráveis para cima de originários da terra.

Como havia ameaçado na campanha eleitoral, o homem incentivou a criminalização e extermínio de ativistas ambientais. No seu primeiro ano nos palácios de Brasília, foram mortos 24 ativistas e o Brasil só ficou atrás da Colômbia (64) e Filipinas do ditador Rodrigo Duterte. (43). Segundo a ONG Global Witness, 90% dos assassinatos foram na Amazônia. O extermínio de pobres negros seguiu seu curso e esta é outra história de banalização no Brasil.

Basta de Estragos

Mas vamos parar de jogar toda a culpa no homem. Ele tem cúmplices nos palácios de Brasília, na Avenida Paulista, no Setor Militar Urbano, na classe média e nos rincões mais miseráveis do Brasil. Ele tem carisma e despertou os maus impulsos que grande parcela dos brasileiros sempre acalentou dentro de si. Fomos o último país no mundo a libertar os escravos e ainda convivemos, sem cerimônia, com fortes resquícios da escravidão.

O homem fez o Brasil virar pária do mundo e todo o planeta agora vê o Patropi como uma ameaça. Mas começamos a ter esperança de vernos uma luz no final do túnel depois que o STF restabeleceu, embora não de forma definitiva os direitos políticos do ex-presidente Lula, e mandou o Senado instaurar uma CPI para apurar crimes cometidos pelo homem na condução da pandemia, A comissão parlamentar de inquérito pode ser a ante sala do impeachment e as pressões crescentes por um afastamento do homem levam a crer que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, finalmente instaure o processo.

O Brasil não pode mais permitir que o homem continue a fazer estragos. Basta.

PS. Mais de 70 pedidos de impeachment foram apresentados e o homem continua fazendo estragos. Deixaram o homem desgovernar, mas nenhum morto ressuscitará e ninguém aliviará a dor de seus entes queridos. Pelo contrário, o homem debochou deles e até imitou um morrendo por asfixia, em sua live semanal.

Comentários

Comments powered by Disqus
Share