Pular para o conteúdo principal

Haja coração

A campanha eleitoral ainda nem começou e o presidente Jair Messias Bolsonaro já ameaça chutar o balde se não for reeleito, sinalizando querer continuar no poder implantando uma ditadura. As ameaças reincidentes do pior presidente da História do Brasil dão frio na espinha de muitos e geram temores de derramamento de sangue em outros. Grande parte das forças progressistas vê uma vitória do Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial de outubro próximo como favas contadas, mas teme que não o deixem assumir. A atmosfera é ameaçadora e nos faz ver que o buraco pode ser sempre mais fundo que o do momento de maior pobreza, miséria, destruição e muita mediocridade na Esplanada dos Ministérios. Haja coração para suportar tanta angústia e temores.


A baixaria na disputa entre Dilma Roussef (PT) e Aécio Neves (PSDB) já me fez prometer a mim mesma que jamais ficaria no Brasil durante uma campanha eleitoral para a Presidência da República. Dava mal-estar só de ver a cara de nojo, de deboche e de desprezo que o mineiro fazia nos debates com a concorrente petista na TV ou simplesmente falava dela. Isto para não mencionar os impropérios e acusações levianas desferidas pelo candidato que mais tarde veio a se revelar um grande corrupto poupado pela Lava Jato e Sérgio Moro, o juiz parcial que trocou a toga pelo cargo de super ministro da Justiça na gestão atual.

Ex-presidente Lula em entrevista recente (2022) para blogs progressistas.

Foto: Ex-presidente Lula em entrevista recente (2022) para blogs progressistas.

O juiz condenou Lula sem provas e o encarcerou por 580 dias para simplesmente impedir que o petista disputasse na eleição presidencial. Em troca ganharia um ministério e talvez mais tarde até uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula concorresse ganharia pela terceira vez a Presidência. A extrema direita, o mercado, os ricos e militares não admitiam jamais o retorno de Lula ao poder. As forças dominantes demonizaram Lula e PT com notícias falsas propagadas na mídia oligárquica, WhatsApp e emissoras de TV. Com Lula atrás das grades embora inocente, o candidato da direita Bolsonaro foi eleito. O STF declarou Moro juiz parcial e anulou suas sentenças. Lula foi libertado, ressurgiu das cinzas e agora lidera as pesquisas sobre preferência de votos, deixando para trás o presidente Bolsonaro em segundo lugar, a longa distância, e Moro amarga na rabeira com menos de dois dígitos. Nada como um dia atrás do outro, mas é cedo para contar vitória. O antipetismo ainda é forte, embora não reste mais acusação formal de corrupção contra Lula, e as ameaças e suspeitas de golpe são constantes.


Chocaram o ovo da serpente de onde saiu vitorioso nas urnas de 2018 o Jair Messias Bolsonaro afeito a homenagear torturadores e fazer apologia a tortura, um evangélico que mente descaradamente se declarando apolítico embora tenha tido 4 mandatos de deputado federal. Para expressar seu ódio às mulheres ele não poupou nem a própria filha caçula dizendo que ela foi gerada durante uma fraquejada, de tanto odiar negros prefere um filho morto que casado com uma negra, de tanto menosprezar quilombolas os avaliar por arrobas. O Messias nos poupou de espetáculos degradantes se recusando a participar de debates na TV. Incapaz de peitar intelectualmente o concorrente do PT, Fernando Haddad, em debates, ele optou por posar para vídeos empunhando metralhadoras e ameaçando “petralhas”. O Messias disse a que veio já na campanha eleitoral e não enganou ninguém.


Com vídeos disparados aos milhares pelo ZAP em meio a Fake News, o candidato de extrema direita revelou sua índole má, seu desprezo pela dignidade humana e não fez segredo de sua vocação para a morte e a destruição. Haja vista seus esforços para boicotar medidas de prevenção e combate ao corona vírus, os cortes que fez nos orçamentos de instituições de proteção das camadas mais vulneráveis da população, seu apoio velado à destruição do meio ambiente, notadamente da floresta amazônica.


Bolsonaro emendou a campanha eleitoral de 2018 com a de 2022 sem fazer nada pela economia nem mostrar a menor preocupação com a legião de desempregados e quase 20 milhões de brasileiros a passar fome. O presidente fez campanha eleitoral o tempo todo cercado de ministros e assessores com a voz do dono e, naturalmente, incompetentes. Consequência: a economia minguou, o desemprego aumentou para mais de 13% e o Brasil voltou para o Mapa da Fome da ONU, de onde havia sito tirado durante o governo Dilma graças às ações de combate a pobreza iniciadas no primeiro governo Lula a partir de 2003.


O PIB (Produto Interno Bruto) só cresceu 1,1% em 2019, o primeiro ano de desgoverno Bolsonaro e um ano antes de Pandemia: o Brasil virou pária no mundo enquanto nos governos petistas era respeitado e admirado mundialmente. Sua Excelência chamado também de genocida está deixando um rastro de destruição e mortes, de pobreza e fome, de desmanche de instituições que garantiam a proteção de vulneráveis como pobres, negros, índios e mulheres. Seu legado será terra arrasada e seu sucessor terá de desfazer quase ou tudo que ele fez. O presidente incapaz de dizer uma palavra de conforto às famílias dos mais de 640 mil mortos por corona vírus acha pouco a desgraça que gerou no país em um mandato e disputa outro com intenção clara de se manter no poder mesmo que venha a ser derrotado nas urnas. Como os resultados de todas as pesquisas sobre preferência de voto apontam uma vitória do ex-presidente Lula, Bolsonaro coloca em cheque o sistema de votação eletrônica e ameaça com golpe de Estado. Para ele o voto eletrônico só presta se o vencedor for ele próprio. Mas nem tudo é por fome de poder. Como ele e seus quatro filhotes cometeram muitos crimes, precisam de foro privilegiado para escaparem da prisão.


Desesperado na condição de segundo colocado nas preferências do eleitorado, muito atrás do ex-presidente Lula, Bolsonaro esperneia, ameaça e paralisa o país. Olhando para trás, a campanha de Dilma e Aécio era nível de jardim de infância se comparada com a de hoje em que o candidato à reeleição exala cheiro de pólvora e ameaça explodir o barril quando levanta suspeita infundada de fraude eleitoral se não for reeleito em outubro. O pavor gerado pelas ameaças de Bolsonaro é tamanho que até jornalistas comedidos como Leonardo Sakamoto dizem temer derramamento de sangue. Haja coração para aguentar uma campanha eleitoral com o terrorismo do presidente candidato a ditador em meio a pandemia de corona vírus, recessão econômica, inflação, miséria e fome, desmatamento e barbárie. É muita desgraça de uma vez só para só uma nação. Mas nem por isso devemos perder o medo de dar um fora no Bolsonaro na eleição de outubro e voltarmos a ser felizes.

Comentários

Comments powered by Disqus
Share