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Jacarezinho e o X do problema

Depois do desastre da operação da polícia civil do RJ que acabou com a morte de pelo menos 28 pessoas, o governador do estado, Claudio Castro, divulgou um vídeo onde tenta rebater as críticas que recebeu.

Foto: MAURO PIMENTEL\AFP VIA GETTY IMAGES

Cena da morte de um dos alvos da operação policial.

Ele diz:"Foram dez meses de trabalho de investigação que revelaram a rotina de terror e humilhação que o tráfico impôs aos moradores. Crianças eram aliciadas e cooptadas para o crime. (...) A reação dos bandidos foi a mais brutal registrada nos últimos tempos” Não é novidade para ninguém, o nível que o crime organizado alcançou no Brasil, mas por se tratar de uma chacina com 28 mortos (a maior na história do Rio de Janeiro), o governador deveria apresentar provas do que afirma. No entanto, apesar dos supostos dez meses de investigação, Claudio Castro não apresentou prova nenhuma. Já as imagens, fotos e relatos de moradores publicados até agora, denunciam que muitos dos investigados teriam sido assassinados mesmo após a rendição. O discurso de Castro, apesar de infundado, tem elementos que ajudam a entender o X do problema. Primeiro, o governado tentar alimentar a ideia de um policial herói que arrisca a vida para defender criancinhas. Nada mais cínico, visto que, só no ano de 2020, a polícia do Rio de Janeiro matou 12 crianças. Depois ele busca justificar os assassinatos da polícia com base no fato de que se tratava de "bandidos", como se isso, em si, fosse motivo suficiente para justificar a violência policial e não é, uma vez que polícia nenhuma tem autorização para matar. É claro que a polícia tem autorização de investigar e coibir a ação criminosa, tem o direito também de se defender no caso de reação violenta, mas não de executar pessoas por conta própria. Constitucionalissimamente matar é ilegal e toda pessoa deve ser considerada inocente até que se prove (em juízo) o contrário. Portanto subir o morro com o objetivo de eliminar suspeitos não tem nada a ver com justiça, nem com segurança, é apenas um crime que só faz aumentar a insegurança e a morte de inocentes. Já está mais do que na hora de aceitarmos o fato de que segurança pública não é uma questão de “mocinhos” e “bandidos”. Não são armas, contingente, treinamento ou melhores “equipamentos” (como o famoso caverão) que vão ajudar a acabar com a violência. Segurança pública também não é uma questão moral – onde supostamente só gente “sem carácter” se deixe levar pelo crime. Segurança pública é uma questão social. O país mais seguro no continente americano é Cuba e se buscarmos outros exemplos no mundo veremos que não por acaso, os países considerados mais seguros são também aqueles com melhor sistema social e menor desigualdade. Já os mais inseguros combinam três fatores:desigualdade, alto índice de armas por habitante e fanatismo religioso.

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