Pular para o conteúdo principal

Nada fazer para derrubar o governo é cumplicidade com o genocídio

Pessoas com ataques justos de indignação e revolta com a política necrófila do presidente Jair Bolsonaro costumam rogar por uma soltura imediata do Adélio, aquele rapaz das alegadas facadas em Juiz de Fora, para completar o serviço sujo. Como solução final não condiz com pacifismo nem com senso humanitário e dizer que o presidente é genocida já levou ativistas à prisão e enquadramento na Lei de Segurança Nacional, pode ser mais apropriado para a autodefesa de cada um apontar os cúmplices dos crimes de propagação do vírus e da falta de ação do governo para combater a pandemia com seus quase 400 mil mortos, equivalentes a mais de 25% de casos em todo o mundo.

Idoso morto no chão, reprodução das redes sociais

Idoso morto no chão em hospital de Teresina, reprodução das redes sociais.

São muitos os cúmplices do genocídio em marcha, a começar pelos que elegeram Bolsonaro, sabendo quem ele era, porque não enganou ninguém, em uma eleição fraudada com a prisão do ex-presidente Lula para não disputar a presidência em 2018 e milhões de fake news disparados para desmoralizar o concorrente do PT. Tais fatos bastariam para a cassação da chapa Bolsonaro-General Mourão, mas o Tribunal Superior Eleitoral legitimou a farsa e o Supremo Tribunal Federal só resolveu agir contra as notícias mentirosas quando se viu atingido e ameaçado na própria pele. O até há pouco presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, chocou uns 60 pedidos de impeachment de Bolsonaro e não viu motivo para abrir um processo. Seu sucessor Arthur Lira diz que ainda não teve tempo para se informar sobre os pedidos. Instaurar processo de impeachment é tarefa única e exclusiva do presidente da Câmara e a destituição da presidente Dilma, que não roubou nem matou, aconteceu em menos de 9 meses. O que falta agora é vontade política para estancar a sangria dos pobres brasileiros, os que mais sofrem com o vírus, a superlotação dos hospitais, a falta de UTIs, leitos e até de insumos básicos de proteção para o pessoal da linha de frente e para intubação de pacientes. Dá para concluir, portanto, que os grandes cúmplices são Rodrigo Maia e Arthur Lira.

A mídia tradicional tem também grande parcela de cumplicidade por ter fertilizado o terreno em que brotou o governo da morte e da destruição. Globo, Veja, Estadão, Folha, Época, IstoÉ e companhia fizeram uma verdadeira lavagem cerebral durante anos com suas campanhas de demonização do PT e linchamento moral de lideranças petistas, principalmente do Lula, o presidente que tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU, baixou a taxa de desemprego para menos de 5%, pagou o FMI, elevou cerca de 40 milhões brasileiros à classe média, levou milhões de pobres e negros para universidades federais e apresentou o Brasil ao mundo como uma potência emergente respeitável. Hoje o Brasil é visto como uma ameaça sanitária ao mundo, como pária, como uma república de banana e liderada por um insano ridículo. Se os pobres ganharam nos governo do PT, os ricos ganharam muito mais, mas para capitalistas desumanos não basta ter muito, é preciso que pobre não tenha nada e não interessa que morra por falta de oxigênio no chão de uma Unidade de Pronto Atendimento, como aconteceu com um idoso pobre e negro em Teresina. Nem o nome dele foi citado pelos jornais que deram a notícia. Quando o cenário nacional é tão escabroso e nenhum dos poderes da República ou autoridade responsável acende uma luz no fim do túnel, é hora da desobediência civil, é hora de clamor coletivo por um impeachment ou intervenção para apear o insano do poder. Mas nada de intervenção militar, até porque ela já veio com o Bolsonaro e os militares atuam ou se calam como cúmplices assumidos. Parecem até satisfeitos por serem mais de onze mil no governo e estarem se empanturrando de leite condensado, picanha e uísque 12 anos, sem nada fazer para atenuar o sofrimento daqueles que correm o risco de morrerem deitados no chão de hospitais superlotados e sem insumos básicos enquanto o presidente debocha de vítimas da covid-19, até imitou alguém morrendo com falta de ar e, em vez de comprar oxigênio, incentiva aglomeração e ameaça o lockdown decretado por governadores com Estado de Sítio. Chega de mortes evitáveis, fome, dor e sofrimento. Fora Bolsonaro já!

Comentários

Comments powered by Disqus
Share