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O horizonte petista

Apesar de toda a esperança - e mesmo euforia - envolvendo a candidatura de Lula em 2022, o jogo não está ganho nem para ele e muito menos para a classe trabalhadora. Há pouco mais de um ano antes da eleição, já há inúmeros sinais de que o horizonte petista não mudou. (foto)

Lula com José Alencar durante a posse em 2002

Lula com José Alencar durante a posse em 2002

"Lula presidente!" é só o que se ouve hoje nos ambientes de esquerda. Nada mais justo passado o sufoco de ver Lula preso e com os direitos políticos cassados por causa de uma farsa jurídica. Porém, o desejo da vitória simbólica vai ficando tão forte que para que ela se realize, lulistas de todas as tribos parecem dispostos a aceitar tudo. Vale acordo com golpista, vice empresário, governo de "união nacional" e etc. Tudo para ver Lula presidente.


Apesar de todas as diferenças, Lula insiste na estratégia de repetir 2002. “Empresários avaliam que Lula não mexerá nas privatizações” foi manchete no portal Brasil247. Em campanha, Lula já se encontrou com Fernando Henrique Cardoso, costurou a ida de Flávio Dino ao PSB e em recente agenda em Brasília, se encontrou com representantes do MDB. Partido de Michel Temer e Eduardo Cunha.


Infelizmente, contrariando o que insistem em propagar seus apoiadores, em cada encontro desses, Lula não “ganha” apoio, mas ele entrega parte de um futuro governo. Só há apoio, porque há o compromisso em um novo governo. Portanto “Lula presidente” não é uma garantia de que as coisas mudem de fato. Não podemos esquecer que conceitos como “governabilidade” e “pragmatismo político” formam a origem do problema que o Brasil enfrenta hoje.


Não fosse a fraqueza ideológica do PT, que ao invés de atuar nos seus 13 anos de governo para cortar as guarras da burguesia, preferiu acreditar na sua mansidão; que ao invés de formar politicamente as massas, preferiu criar uma classe média metida a "empreendedora", nós não estaríamos no buraco em que estamos. Dilma só caiu porque não houve mobilização social dos trabalhadores, dos sindicatos, movimentos sociais e estudantes para defender seu governo. O mesmo se aplica a prisão de Lula.


Quem já passou pelo bê-á-bá da luta de classes sabe que a burguesia não tem limites para impor sua vontade. Golpe, prisão e difamação midiática, são só alguns dos recursos utilizados para isso. Por isso o golpe em si, não configura uma novidade. Novidade é um governo dito de esquerda que não se prepara para a reação da burguesia.


Não se trata aqui de esperar do PT revolução, mas toda pessoa que se julga realmente de esquerda carrega a responsabilidade de lutar por um governo que - se não for além - pelo menos não caia nos piores erros do passado.

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