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O medo da esquerda

Mais uma vez as forças organizadas da esquerda saíram às ruas para lutar pelo #ForaBolsonaro. Uma palavra de ordem que hoje é unânime, mas a pouco tempo atrás, muita gente ainda tinha dúvida se era correto ou não pedir o fim do desgoverno.

O espectro do comunismo

O espectro do comunismo

Agora que a onda pegou, a turma do “veja bem” defende que é preciso ampliar e abrir espaço para a direita, senão, segundo eles e elas, Bolsonaro não cai. Só que o problema não é só alcançar as maiorias. O problema não é só tirar o Bolsonaro. É tirar a política que ele defende. É colocar o Brasil em outro rumo. Portanto o problema é alcançar as maiorias para mudar algo. Caso contrário trocam se os nomes, os partidos e tudo continua como sempre. Nossa tarefa é convencer as maiorias de que nossa política é a melhor. Se mudarmos nosso plano, nossa política, nosso discurso, nossas cores, para alcançar a maioria, quem mudou fomos nós. A maioria continua pensando igual e nós que nos adaptamos.


É isso que a burguesia quer.


O contrário disso é convencer a classe trabalhadora das nossas posições. E para fazer isso não é preciso “aliviar o tom”, pelo contrário, é preciso falar claro e direto. Quem já esteve uma vez em uma organização de trabalhadores viu com que deboche e impaciência os e as trabalhadores acompanham os discursos conciliatórios. A base não quer saber de blábláblá. A base tem urgência, porque tem problemas urgentes e sabe que todo acordo no fundo é apenas uma forma ou de empurrar com a barriga ou de atrapalhar as reivindicações justas e urgentes da classe trabalhadora.


Portanto, o discurso “radical” não é o problema para alcançar maioria. A classe trabalhadora entende e concorda com ele. O discurso radical é um problema para alcançar a burguesia e setores atrasados da classe média - os e as conselheiras de plantão que têm medo de mudanças verdadeiras. São essas pessoas que escrevem nos jornais, que estão na TV, na administração pública, na justiça etc.


Em outras palavras o discurso moderado é uma forma de ser “aceito” pela burguesia. Não por acaso os discursos “equilibrados” são mais comuns nas classes médias, onde há muito contato com o poder e o pessoal não quer “ser chato” com o patrão ou com o poder público. Esses setores têm no fundo medo da esquerda.


Portanto seguir o conselho desse pessoal é jogar o barco nas pedras. Foram muitos anos de luta. O golpe deu errado, a economia está destruída, a fome voltou e os responsáveis por tudo isso não podem agora pagar de “defensores da democracia”.


A esquerda não pode dividir o palanque com Joice Hasselmann, com Dória ou com Aécio Neves. Eles são inimigos do povo brasileiro. Não dá para deixar que as manifestações contra Bolsonaro se tornem de novo em “CarnaCoxinhas contra a corrupção”. Se isso acontecer estaremos cavando o buraco para chamada terceira via em 2022. “Nem a corrupção de Bolsonaro, nem a do PT”. Essa é a isca que direita lançou. Morde quem quiser.

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