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Uma contradição necessária

Depois de quase um ano e meio defendendo o “fique em casa” a esquerda foi às ruas no dia 29 de maio em mais de 200 cidades. Contradição? Sim. Porém necessária.

Manifestação contra o Bolsonaro na Av. Paulista

Manifestação contra o Bolsonaro na Av. Paulista

  • Primeiro porque a CPI tem mostrado que o maior responsável pelas mortes durante a pandemia foi e é o desgoverno Bolsonaro. Não foi só que ele não fez o que deveria fazer - como comprar vacinas na hora certa - mas também que atrapalhou quem fez o que era correto. Portanto lotar a rua, a praça e avenidas para dar um basta a esse governo é também uma atitude de combate a pandemia e em favor da vida.

  • Segundo porque não podemos esperar até 2022 para que o povo entre no jogo. Pode ser que até lá o estrago humano e material seja grande demais. Portanto pôr um fim ao governo Bolsonaro o mais rápido possível deve ser a meta de todas as forças progressistas no país. Pesquisas de opinião pública publicadas recentemente, como o Datafolha por exemplo, apontaram que 56% dos brasileiros consideram Bolsonaro incapaz de comandar o Brasil.

  • Terceiro porque a esquerda deve dar as caras e dizer que não se trata só de conseguir um outro governo, com novas ou velhas caras, mas um outro país. Sem a força do povo na rua, todas as cartas são jogadas nas conversas dos palácios e todos nós sabemos aonde esses acordos acabam. Por isso vestir a rua de vermelho como aconteceu na Av. Paulista pode servir também como um sinal aos conciliadores de plantão.


Ao argumento moral de que não se pode falar uma coisa e fazer outra se pode revidar com o fato de que as organizações de esquerda esperaram bastante tempo para convocar atos públicos. Depois, justamente por não ignorarem os riscos, houve um esforço enorme para manter o distanciamento e o uso de máscara.


Portanto, pode se dizer que as manifestações do dia 29 de maio foram mais um efeito, uma reação, diante de uma situação de desastre do que uma iniciativa. Aliás é sempre assim. Ninguém vai para rua se manifestar quando quer, mas sim quando precisa.

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